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Blogbuster Filosófico

06/12/2007

Humor Filosófico

Custou - me achar uma espécie de "trocadilhos da filosofia".

No Orkut (site de relacionamentos), existem várias comunidades que encontram um humor nada convencional: qual a percepção dos filósofos e estudiosos das Ciências Sociais em relação ao sapo que não lava o pé? (em analogia à música infantil "O Sapo Não Lava o Pé").

Infelizmente, não consegui achar o autor desse humorado (e didático, sobretudo) texto. Numa comunidade de estudantes de Ciências Sociais da UFRJ, o texto está disponível. Irei transcrevê - lo e tentarei analisá - lo, com base nos meus limitados conhecimentos de Filosofia (as minhas explicações estão entre parênteses, com texto em itálico).

Para não ficar muito longo, colocarei os mais interessantes e, obviamente, os filósofos que estudamos no último semestre.

Por que o sapo não lava o pé?

(Autor desconhecido)

Olavo de Carvalho: O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer e ainda culpa o sistema, quando a culpa é da PREGUIÇA. Este tipo de atitude é que infesta o Brasil e o Mundo, um tipo de atitude oriundo de uma complexa conspiração moscovita contra a livre-iniciativa e os valores humanos da educação e da higiene! (Olavo de Carvalho é um filósofo e comentarista político brasileiro. Mesmo não confirmando, sua posição política, na teoria, seria considerada de direita - ou extrema direita conservadora. Diga - se de passagem, Olavo de Carvalho, independente se é ou não de extrema direita, é com certeza anti - comunista, pois ele mesmo já deixou isso claro. Sendo um anti - comunista, não vê o sapo - o trabalhador ou operário, numa visão mais marxista - como um membro de uma classe desfavorecida por conta do Sistema. Para Olavo, qualquer pessoa (ou o 'sapo') pode ter uma condição financeira plena, basta apenas trabalhar*. No caso, o pobre - ou, no caso, o sapo que não lava o pé - não se esforçou o suficiente para enriquecer, ou na pior das hipóteses, é um vagabundo vive na custa de outros sapos).

*na percepção marxista, o trabalho é exploratório e a proporção do número de horas de trabalho para o quanto se recebe é inversa - logo, quanto mais se trabalha, menos se ganha dinheiro.

Marx: A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção. (Marx, em seu clássico "Manifesto do Partido Comunista", apresenta a divisão de classes no sistema econômico, a dicotomia do dominador e do dominado: a burguesia e o proletariado. A metáfora do ato de 'lavar o pé' é a condição sócio - financeira do sapo, este que só poderá lavar o pé quando possuir condições infraestruturais adequadas e, sendo assim, quebrando o sistema comum de produção - onde o operário sai como o 'líder' de si próprio. Para isso, ele teria de organizar uma luta operária com outros sapos, pois somente através desse conflito de classes ele conseguirá o acesso pleno e digno dos recursos sociais, sem a exploração externa.)

Engels: isso mesmo. (ou seja, a idéia é de que Engels nada mais é do que uma maria - vai - com - as - outras, ou melhor, "maria - vai - com - o - Marx")

Foucault: Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé – bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas – domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível – é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.
(Foucault defende o fato do sapo não lavar o pé como uma decisão pessoal - o princípio da ética de Foucault é relativa, baseado nos critérios de avaliação da pessoa que está decidindo - no caso, o sapo decide não lavar o pé baseado na cultura que lhe conduz).

Nietzsche: Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação - herança de povos mediterrâneos, certamente - uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a “dolcezza” audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida – e difícil – fronteira entre o Sapo e aquele que está por vir, o Além- do-Sapo: a lavagem do pé. (O Além – do – sapo, que na linguagem nietzcheana é o “Übermensch”, ou “Super homem”, é o estágio supremo ao qual o sapo deverá atingir, nesse caso, o ato de lavar o pé o levará à sua superação como animal.O homem, ou melhor, o sapo que ainda não está preparado para essa evolução individual, estará sempre negando aquilo que não pretende fazer – por isso vem o niilismo, a anulação das coisas em sua volta – uma delas, é a negação da higiene dos pés).

 

Kant: O sapo age moralmente, pois, ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal ‘apriorística’, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal. (Kant em sua premissa apresenta três princípios da ética, sendo o primeiro e o mais famoso deles, o conhecimento a priori. Este é o conhecimento que não possui base empírica, ou seja, o sapo não tem o conhecimento de lavar o seu pé, porque nunca o fez – ou seja, não possui experiência nisso – portanto, segundo Kant, não há nada de errado nisso. O outro conhecimento, a posteriori, é o que leva à epistemologia universal, o que predomina que todos os sapos devem lavar os seus pés. Mas enquanto o sujeito (sapo) não lava o seu pé, isso não significa que ele é um sujeito imoral, pois lavar o pé não é condição universal de sobrevivência dos sapos).

 

 

Sartre/Kierkegaard: O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência. O sapo é um ser livre para escolher se quer ou não lavar o pé. (Os autores Existencialistas apresentam a liberdade de escolha, e a do sapo foi categórica – escolheu não lavar os pés. Porém, essa escolha implica na aceitação do resultado desta ação).

 

Horkheimer e Adorno: A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização. (Os membros da Escola de Frankfurt, que propagaram a Teoria Crítica Social, consideram o ato de lavar o pé como parte de uma ideologia dominadora, que fortalece o determinismo social. No caso, o sapo que não lava o pé estaria praticando a Racionalidade Crítica, pois vai contra os princípios de reificação da limpeza dos pés, ou seja, a banalização dela. Ele – o sapo – seria a contracultura também, pois acaba negando o Sistema, o processo de padronização promovido pela massificação).


Escrito por Natasha às 16h51
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02/12/2007

Visão Filosófica no Futebol

O Desestruturado Corinthians e o Alerta Vermelho da Administração dos Clubes do Brasil

Foto: Danilo Verpa/Folha Imagem

O futebol é visto como massificador, afinal, quem nunca se viu torcendo para um time? Em inúmeros clichês (e não são poucos) que poderia citar, diria que a cultura do brasileiro é a paixão incondicional - o futebol, portanto, seria o canal dessa manifestação passional, o que, por si só, tem apenas um motivo: o futebol é um esporte simples e coeso. Isso porque a combinação das regras e da divisão uniforme entre os 22 jogadores são suficientes para chegar a apenas um objetivo ainda mais simples: marcar gols.

Nesse post, não pretendo discorrer sobre as maravilhas e os motivos dos brasileiros em adotar o esporte; o fato é que ele é indiscutivelmente presente no cotidiano, mesmo para quem nem o acompanhe, pois até nos ditos populares e frases prontas, o Futebol cai na linguagem do povo: "Você me colocou para escanteio", "Deixa as coisas como estão, porque time que ganha não se mexe", entre outras.
Hoje, exatamente 22:00, escrevo para comentar um pouco sobre o Corinthians, que sem dúvida foi assunto dessa semana desde a derrota para o Vasco, até agora, que foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro.

Não pretendo comentar de forma passional, até porque não sou torcedora do time, tampoco anti-Corinthians. Não vou falar se foi "merecido" o rebaixamento por conta da manipulação de resultados no ano de 2005 no Brasileirão, que acabou favorecendo o time alvinegro.

Que me perdoe a nação corinthiana, mas o rebaixamento deve ser visto de outra maneira:
Há muito tempo, o futebol do país está precisando de uma reforma. Não, não digo reforma de estádios e de centros de treinamento, somente. Eu falo de uma reforma estrutural. Hoje em dia, os times brasileiros - com exceção em partes do São Paulo FC - não têm autonomia de gestão. É só reparar no perfil dos dirigentes da atualidade: são ultrapassados em empreendimento e usam um clube desportivo para a autopromoção. Os times viram simples panos que encobrem vínculos de picaretagem e discursos demagógicos que se confundem com clichês de amor ao time.

Como já dizia Émile Durkheim, as sociedades complexas apresentam normalidades ou as patologias sociais. A patologia dos times do Brasil e, principalmente, a do Sport Club Corinthians Paulista é exatamente o conceito de anomia: não há integração de normas sociais. É um time que, há muito tempo, se viu na pior das anomias político - administrativas, e como todo brasileiro que usufrui do "jeitinho" do laissez faire, pouco se importou com o resultado. Infelizmente, para os Corinthianos, aquilo que parecia ser inevitável, aconteceu. Bom para que os times do país inteiro possam acordar para a realidade e perceber que não existe o mito do time grande - até porque, no caso do Corinthians de 2007, é um time grande, mas esteve longe de ser um grande time em campo.

Que o rebaixamento seja visto desta forma - forma esta que nos faça parar para avaliar se aquilo que assistimos, ora na TV, ora nos estádios , é algo sério. Futebol, na melhor ou pior das hipóteses, é um patrimônio simbólico do país. Jamais deveria ser tratado com indiferença, porém em nenhum momento deveria ser banalizado. E banalizado, o futebol deixa de ser uma manifestação universal da alegria e do jogo bonito para se tornar reificado, "(...) caráter compulsivo da sociedade alienada de si mesma" (ADORNO)


Escrito por Natasha às 22h42
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Agradecimentos

Primeiro, gostaria de agradecer demais aos elogios da profª Márcia Heloísa.

Sem "puxasaquismo" (hahaha), é uma professora que levo sempre com carinho, pois além da competência profissional que pude acompanhar durante o Ensino Médio (e agora, na Faculdade), também é uma pessoa de princípios muito bonitos!

Isso me motiva para dar continuidade ao blog. Confesso que passei a gostar de colocar um post a cada dia.

Vou diversificar mais os meus assuntos, mas não fugirei à proposta de postar conteúdos ligados à Filosofia.

Beijos, e obrigada mais uma vez!


Escrito por Natasha às 22h39
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BRASIL, Sudeste, SANTOS, GONZAGA, Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, Esportes, Música







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